UFC 210 deixa um gosto amargo em minha garganta

UFC 210 deixa um gosto amargo em minha garganta

Agnes Lima

O UFC 210, realizado na noite de sábado (8), nos Estados Unidos, deixou um gosto amargo em minha garganta, tudo por causa da derrota de Chris Weidman para Gegard Mousasi – nocaute técnico por uma interrupção médica após uma sucessão de erros.

Vou começar pela atuação do Weidman. Apesar de ter vencido o primeiro round, ele mostra, a cada luta, que o gás é algo que lhe falta e, ao que parece, está difícil de recuperar. Tanto que no primeiro round a respiração já estava ofegante. Até achei que Weidman ia perder o protetor bucal de tanto que respirou com a boca aberta. Conseguiu quedas e só.

No chão parecia ter tanto jiu-jítsu quanto eu que nunca treinei a arte suave. E, de novo, apesar de ter ganhado o primeiro round, mostrou que não se desenvolve bem no chão e não aguenta trocar com alguém com um pouco mais de técnica em pé. Enfim, é impressionante o efeito que a USADA fez em Weidman que, para mim, está no mesmo nível do Johny Hendricks.

O triste é perceber que ele não conseguiu se adaptar à política antidoping e, possivelmente, não vai. Para mim, lutador que só é lutador mediante sucos e bombas não tem muito valor. Sendo honesta, acho que Weidman dificilmente vence um top da categoria, pois mesmo que eu o ache um excelente wrestler, sem preparo físico fica impossível.

Agora quanto o resultado da luta, uma série de erros grotescos mostrou que a comissão atlética de Nova York tem muito a melhorar no quesito médicos. O primeiro foi do árbitro, mas esse a gente ainda releva, pois ele ficou em dúvida com relação aos apoios que estavam sendo usados na hora da joelhada. Por isso, parou o combate e deu cinco minutos para Weidman se recuperar. Enquanto isso, foi ver o replay e constatou que a joelhada foi legal.

Irregularmente o árbitro usou o replay para confirmar, coisa que a comissão de NY não permite. Sendo assim, o que deveria valer era a interrupção por ilegalidade. Nisso Weidman estava correto, pois até então o golpe era ilegal. E, claro, assim como qualquer outro lutador, ele quis dar uma valorizada e usar o tempo para descanso já que estava sentindo os golpes do Mousasi. Confiando no árbitro, Weidman se manteve no chão.

A lambança começa quando o árbitro não soube como definir, chamou o médico e o médico sabia menos ainda. Segundo ele, Weidman não sabia que dia era. Porém, eu vi o árbitro dizendo que ele sabia sim.

Numa visível insegurança e parecendo dois cachorros em dia de mudança, os médicos, depois de cinco minutos, decidiram que ele não podia continuar e encerraram a luta. Erro do árbitro em parar o combate, erro do Weidman em supervalorizar e erro pior ainda dos médicos inseguros que pareciam não saber o que estava rolando.

Sinceramente eu acho que se continuasse, a probabilidade de Weidman perder era grande, mas eu fico extremamente pesarosa em ver uma sucessão de erros, irregularidades e insegurança em profissionais que trabalham num evento da magnitude do UFC. Erros, nesses casos, que podem detonar a carreira e a saúde de um lutador.

UFC 210

Resultados completos

Card principal

Peso meio-pesado: Daniel Cormier derrotou Anthony Johnson por finalização (mata-leão) aos 3m37s do R2

Peso médio: Gegard Mousasi derrotou Chris Weidman por nocaute técnico aos 3m31s do R2

Peso palha: Cynthia Calvillo derrotou Pearl Gonzalez por finalização (mata-leão) aos 3m45s do R3

Peso meio-médio: Thiago Pitbull derrotou Patrick Cote  por decisão unânime dos juízes (30×27, 30×27, 30×27)

Peso leve: Charles do Bronx derrotou Will Brooks por finalização (mata-leão) aos 2m30s do R1

Card preliminar

Peso pena: Myles Jury derrotou Mike de la Torre por nocaute técnico aos 3m30s do R1

Peso meio-médio: Kamaru Usman derrotou Sean Strickland por decisão unânime dos juízes (30×27, 30×26, 30×26)

Peso pena: Shane Burgos derrotou Charles Rosa por nocaute técnico aos 1m59s do R3

Peso meio-pesado: Patrick Cummins derrotou Jan Blachowicz por decisão majoritária dos juízes (29×28, 29×28, 28×28)

Peso leve: Gregor Gillespie derrotou Andrew Holbrook por nocaute técnico aos 21 segundos do R1

Peso leve: Desmond Green derrotou Josh Emmett por decisão dividida dos juízes (29×28, 28×29, 30×27)

Peso galo: Katlyn Chookagian derrotou Irene Aldana por decisão dividida dos juízes (29×28, 28×29, 29×28)

Peso mosca: Magomed Bibulatov derrotou Jenel Lausa por decisão unânime dos juízes (29×26, 29×26, 29×26)

Foto: Kevin Hoffman-USA TODAY Sports

AGNES LIMA é formada em arbitragem de boxe pela Liga Sorocabana de Boxe e em MMA pela ABAL (Associação Brasileira de Arbitragem de Lutas). Atua como juíza e locutora em campeonatos regionais e estaduais. É proprietária do Centro de Treinamento King Fight/Team Maldonado e fundadora do grupo de Facebook “Do Vale Tudo ao MMA”.