O jiu-jítsu e o wrestling no MMA

O jiu-jítsu e o wrestling no MMA

Everton Gori

Quando falamos de mistura de artes marciais, devemos ressaltar dois estilos de luta bastante eficazes nesta modalidade: o jiu-jítsu e o wrestling. Atuais campeões não dispensam os treinos de nenhum deles. Muito pelo contrário, treinam ambas em conjunto e isso não é opção, é regra.

No entanto, a evolução das duas modalidades deixa alguns atletas confusos. Muitos não sabem como dividir o treinamento, ficam em dúvida de quantas vezes na semana devem praticar o jiu-jítsu e o wrestling, qual o melhor momento da luta para utilizá-los, etc.

Tanto o wrestling como o jiu-jítsu, em suas competições específicas, têm regras e objetivos diferentes, mas se juntarmos as duas teremos uma variedade de movimentos a escolher para o MMA. Um exemplo clássico de mau uso da técnica é quando o atleta está levando nítida vantagem em pé, o oponente – desesperado – busca a queda e é puxado para guarda na tentativa de uma guilhotina. Isso é errado! O correto seria utilizar o wrestling para se defender da queda e seguir em pé.

Vamos usar o mesmo exemplo, mas às avessas. Suponhamos que o atleta está perdendo a luta e, no terceiro round, conecta um golpe que atordoa o adversário. Ele, então, vê uma brecha e aplica a queda. Errado mais uma vez. Faltando poucos minutos para o fim do combate, a sua única chance era o nocaute que foi desperdiçado com o wrestling (a queda). Esses são apenas dois exemplos das diversas formas erradas que vejo por aí.

Outro ponto que devemos destacar: você pega as costas do seu oponente como um wrestler ou um lutador de jiu-jítsu? As duas formas são bem distintas e levam a resultados e formas diferentes de vencer. Por isso mesmo é válido saber ambas.

Vamos lá: pegar as costas como um wrestler traz um posicionamento mais seguro e melhor para golpear. Já o jiu-jítsu, com ganchos, possibilita a finalização e pode liquidar o combate rapidamente, mas o atleta também corre o risco de perder a posição e ficar por baixo e, ficar por baixo no MMA, não é vantajoso.

O atleta sempre precisa avaliar qual a melhor opção no momento, a qualidade do adversário em questão, que minuto ou round está e se faz parte da estratégia a opção escolhida. Importante que treinadores de jiu-jítsu, de wrestling e os atletas conversem para que as instruções e os objetivos sejam os mesmos.

Há mais de uma década eu pratico as duas modalidades, conheço os estilos e isso me possibilita mostrar ao atleta a melhor forma de luta.

EVERTON GORI, O ALEMÃO DO WRESTLING, é professor de educação física, faixa roxa em jiu-jítsu, atleta e professor de wrestling. Possui mais de 13 anos de experiência em artes marciais como boxe, caratê e kickboxing.