Maldonado terá estátua de 1,85m em Sorocaba

Maldonado terá estátua de 1,85m em Sorocaba

Roberto Freitas

O lutador sorocabano Fábio Maldonado vai ganhar uma estátua em sua cidade natal. Um monumento de 1,85m de altura (em tamanho real) será construído na Praça Central de Sorocaba, São Paulo, como forma de homenagear o ilustre esportista cidadão.

O texto acima poderia ser uma realidade, mas não passa de uma falácia longe de ser verdade. Que pena! Fábio Maldonado, conhecido internacionalmente como “Caipira de Aço” e, para os mais próximos, como “Fião”, protagonizou na sexta-feira (17), em São Petersburgo, Rússia, uma das lutas mais sensacionais dos últimos tempos.

Ele enfrentou nada menos que o lutador que por muitos anos foi o mais perigoso do mundo, conhecido como o “Último Imperador”, o atleta de MMA que ainda é considerado o maior da história. Estou falando de Fedor Emelianenko, russo que destronou os maiores lutadores da primeira geração da mistura de artes marciais e ainda continua assombrado os da atualidade.

O que para maioria da mídia e dos fãs parecia apenas uma luta de promoção do retorno do russo, com final já previamente escrito, se tornou em um dos combates mais sensacionais da história do MMA. Fedor, como sempre em sua carreira de 41 lutas, começou muito agressivo e se lançou como se fosse o último ato da sua vida, mas não esperava encontrar um adversário reconhecido como “Caipira de Aço”, um Maldonado que segundos antes da luta, no cumprimento e instrução do árbitro, escondia em seu olhar baixo milhões de anseios, sonhos e desejos.

O sorocabano resistiu os segundos de fúria do russo e conseguiu encaixar dois socos que deram início ao que o mundo achava que era impossível. A luta só não acabou no 1º round porque Fedor mostrou que ainda continua grande e sua vontade de ganhar é maior que dos seus adversários. O russo apanhou muito e aguentou. Os motivos de ele ter ido ao inferno e voltado querendo viver podem ser pela sua religião, pela família, pela Rússia que parou para ver o combate ou pelo UFC que ainda sonha em contratá-lo. Sabe-se se lá os reais motivos, o que sabemos é que ele aguentou quase quatro minutos semi desacordado.

O final todos já sabemos – Fedor ganhou por decisão unânime – resultado contestado por 99,9% de quem assistiu ao combate. Mas nesse caso o julgamento foi o que menos chamou atenção. Caso Maldonado ganhasse no 1º round as notícias do mundo daria como capa que o russo não é mais o mesmo e que sua carreira terminou há oito anos  junto com o extinto Pride. Mas a derrota eo Maldonado, da forma como foi, soa como uma vitória que seria impossível de se imaginar. Mostra que sua demissão do UFC foi precipitada e que ele ainda é um dos atores capazes de fazer o público ficar em pé e jogar a pipoca no chão.

Voltando ao início do texto, ainda carrego a esperança que um dia veremos uma estátua do nosso “Fião” em algum canto de Sorocaba, homenageando um lutador que leva o nome da cidade tão longe e que tem um coração mais forte que seus punhos.

A triste notícia é que essa realidade está muito distante: nem tocha olímpica, que passará por Sorocaba em 17 de julho, ele terá a oportunidade de carregar. Isso sim é derrota dura de aceitar! Mesmo sem o reconhecimento merecido, Maldonado entra para história como lutador que enfrentou a lenda do MMA, que ganhou, mas não levou.

Foto: Reprodução/Facebook

ROBERTO FREITAS é formado em direito, pós-graduado em gestão pública, diretor de empreendedorismo da Prefeitura de Sorocaba, presidente do Iesa (Instituto de Educação Sócio Ambiental) palestrante, faixa marrom em jiu-jítsu, colunista de MMA do jornal Bom Dia de Sorocaba, colunista de MMA da Rádio Ipanema de Sorocaba no quadro Planeta MMA e fã de carteirinha do esporte que mais cresce no mundo: o MMA. Twitter: @freitasbjj