Bruno Cesar: a importância do jab para o MMA

Bruno Cesar: a importância do jab para o MMA

Bruno Cesar

Por que o jab é tão pouco utilizado no MMA? Acompanhando as lutas recentes, vi que quando os lutadores deixam o combate transcorrer em pé, utilizam pouco esta arma. Usam o jab apenas para medir a distância e soltar a mão de trás com um overhand ou outro golpe tão potente quanto. Não sei se realmente sabem o quão eficiente o jab é ou se não tem a técnica aprimorada para tal feito. Porém, os poucos lutadores que sabem usá-lo se sobressaem.

Uma prova recente do quão importante é essa arma foi a luta entre Cain Velasquez e Fabrício Werdum (foto). O caminho para Werdum contra Cain foram os golpes em linhas. Utilizando muito bem o jab – golpe que destruiu a face de Cain -, Werdum conseguia soltar combinações. Disparar os jabs potentes foi um dos principais passos para o brasileiro vencer o seu adversário em pé e se tornar o novo campeão dos pesados do UFC.

George St Pierre, ex-campeão da categoria até 77 quilos do Ultimate, sempre usou o jab como uma de suas principais armas. Venceu e lesionou a face de seus desafiantes Josh Koscheck, Johnny Hendricks, Jake Shields e Rory McDonald que, agora, vai disputar o cinturão contra Robbie Lawler. Outro exemplo foi a luta de José Aldo contra Frankie Edgar. O brasileiro desferiu muitos jabs e controlou a distância. O golpe foi essencial para a vitória de Aldo.

Talvez o jab seja o golpe mais essencial do MMA, pois é através dele que você controla a distância, acha a distância, pode machucar o seu adversário e deixá-lo perdido. Mas volto à questão que me motivou escrever esta coluna para oMMA+: não vejo este golpe ser utilizado pelos lutadores. Uma pena!

Foto: Christian Palma/Associated Press

BRUNO CESAR DE PAULA é lutador de boxe olímpico e futuro atleta de MMA. Praticante há três anos de pugilismo, onde conquistou os títulos dos torneios Estímulo Kid Jofre e Galo de Ouro.